Celular na nuvem: perito explica dados guardados pela Apple
O armazenamento em nuvem, como o iCloud, sincroniza dados que a maioria dos usuários desconhece. Esse conteúdo pode ser acessado por autoridades mediante ordem judicial, mesmo com o backup desativado no dispositivo. A informação é do perito em crimes digitais Wanderson Castilho.
O caso surge no contexto da operação da Polícia Federal que prendeu MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e o criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira. O ponto de partida foi o iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtido em operação anterior, que permitiu à PF mapear a estrutura de uma organização criminosa através de extratos, comprovantes e documentos financeiros.
Para Castilho, desativar o backup automático não elimina as informações dos servidores da Apple. “Mesmo você tendo desabilitado, pode existir a possibilidade do dono da nuvem, com um pedido judicial, fornecer todas as informações para as autoridades”, explica o perito. A Apple, ao receber uma ordem judicial, extrai fotos, e-mails, arquivos e conversas vinculados ao Apple ID investigado e entrega às autoridades.
O perito levanta uma ressalva sobre a cadeia de custódia, pois a coleta é feita pela própria Apple, não pelo Estado. Arquivos apagados são mantidos na lixeira do iCloud por até 30 dias, mas após esse período, nenhuma solicitação judicial resultou em recuperação, devido aos custos de armazenamento para as Big Techs.
Castilho alerta que o usuário tem menos controle sobre o conteúdo na nuvem do que imagina. Fotos editadas por aplicativos de filtro, por exemplo, podem ser duplicadas mesmo após serem excluídas. Para informações de alto valor pessoal ou estratégico, o especialista recomenda armazenamento offline, como em HD externo criptografado, idealmente em dois ambientes diferentes e fora da nuvem.
