Colômbia decide futuro presidente em disputa acirrada
Colombianos vão às urnas no próximo domingo (21) para escolher entre os candidatos Iván Cepeda, de esquerda e aliado do atual presidente Gustavo Petro, e Abelardo De La Espriella, de extrema-direita e apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No primeiro turno, realizado em 31 de maio, Espriella saiu na frente por uma diferença de 673 mil votos em um universo de mais de 41 milhões de eleitores. O comparecimento às urnas na Colômbia, onde o voto não é obrigatório, foi de 57% do total de pessoas aptas a votar.
O resultado do próximo domingo influencia a correlação de forças políticas na América do Sul em meio à pressão do governo de Donald Trump por um alinhamento dos países da região à política da Casa Branca. O professor de Fronteiras e Direitos Humanos na Universidade Federal da Grande Dourados, Sebástian Granda Henao, explicou que a vitória de Espriella representaria mais uma carta na manga de Trump para influenciar a política no continente. Por outro lado, a vitória de Cepeda representaria a manutenção de certa aliança na América Latina entre Colômbia, Brasil e México.
Candidato governista, Cepeda daria continuidade ao projeto do Pacto Histórico, coalizão que formou o primeiro governo de esquerda da história da Colômbia. Afetada por conflitos armados, a Colômbia chega ao segundo turno em meio ao acúmulo de casos de violência política que o projeto de “Paz Total” do atual governo não conseguiu resolver. O país, no entanto, mantém índices econômicos estáveis. Senador no terceiro mandato, Iván Cepeda é filósofo e defensor dos direitos humanos. Abelardo De La Espriella, que recebeu apoio de Trump, promete aproximação maior com a Casa Branca e com Israel. O candidato é um advogado multimilionário que se apresenta como outsider da política. A terceira colocada no primeiro turno, Paloma Valencia, declarou apoio a Espriella, que é apontado como favorito. Ainda assim, não é possível cravar uma vitória do candidato apoiado por Trump, pois os terceiro e quarto colocados somaram 5% dos votos no primeiro turno.
