Crime organizado utiliza aluguel por temporada para lavagem
Autoridades públicas investigam o uso de plataformas de aluguel por temporada por organizações criminosas para ocultar patrimônio proveniente de atividades ilícitas, como tráfico de drogas e armas. A estratégia visa transformar recursos ilegais em fontes de renda com aparência legítima, operando em um ponto cego que dificulta a fiscalização dos órgãos de controle.
No Rio Grande do Sul, a Operação Litus, deflagrada em maio de 2025 pela Draco, revelou o uso de imóveis no litoral norte para lavagem de dinheiro. O delegado Gustavo Bermudes detalhou que os bens estavam registrados em nome da companheira do líder do esquema ou de laranjas. A análise de celulares apreendidos confirmou o uso comercial dessas propriedades em plataformas digitais.
O Ministério da Justiça e a Receita Federal reforçaram o monitoramento sobre o setor. Enquanto a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) trabalha para fortalecer o combate a crimes financeiros, a Receita Federal incluiu o tema como prioridade no Relatório Anual de Fiscalização 2025-2026, implementando novas diretrizes de tributação no IRPF 2026 para aumentar a transparência.
As plataformas de aluguel, como Airbnb e Booking, afirmam colaborar com as autoridades mediante solicitações oficiais. Ambas as empresas declararam possuir políticas de tolerância zero contra atividades criminosas e canais dedicados ao auxílio de investigações policiais, destacando a importância da cooperação entre o setor privado e as forças de segurança.
