Defesa e Política Externa: Assessor Aponta Desafios Urgentes para o Brasil
A área de defesa emerge como um dos principais desafios da política externa brasileira para os próximos anos. A conjuntura internacional, marcada pela ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e pela ampliação de conflitos globais, exige maior atenção do país. A percepção de vulnerabilidade diante da ação americana na região conferiu uma nova urgência a essa questão, conforme apontado por Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República.
Faleiro, no entanto, ressalvou que não vislumbra ameaças imediatas às reservas de petróleo ou ao programa nuclear nacional. Ele destacou a necessidade de o Brasil decidir sobre a viabilidade de investimentos no setor de defesa, abordando o dilema social entre a percepção de um país pacífico e a necessidade de proteção. Conflitos assimétricos, como o entre Estados Unidos e Irã, sugerem que a capacidade de dissuasão pode ser crucial, mesmo diante de grandes assimetrias militares. O assessor enfatizou a vulnerabilidade evidente do Brasil neste quesito.
Além da defesa, Faleiro listou outros cinco desafios cruciais para a política externa brasileira até 2030: minerais críticos e terras raras, soberania digital, crime organizado transnacional, integração regional e integração com países africanos. No tocante a minerais críticos, o arcabouço regulatório está defasado, embora haja um esforço para criar um Conselho Nacional. Quanto ao crime organizado, alertou para manipulações políticas e destacou a disputa e conquista da direção-geral da Interpol pelo Brasil como um passo estratégico para propor uma pauta regional.
Na esfera da soberania digital, o Brasil está atrasado e precisa investir significativamente para recuperar o tempo perdido. A integração regional enfrenta obstáculos como a eleição de Javier Milei na Argentina e o resultado do processo eleitoral venezuelano em 2024, que paralisaram iniciativas como a Unasul e a Celac. Em relação à África, apesar da simpatia histórica, outros países avançaram mais na cooperação, exigindo do Brasil a reinvenção de seus instrumentos de política externa após uma década de abandono.
Faleiro também analisou o bloco dos Brics, composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Indonésia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. Ele considerou o aumento do número de membros em 2023 um erro que levou à paralisação do grupo, citando conflitos entre membros, como Irã e Emirados Árabes Unidos, que impedem consensos, exemplificado pela ausência de declarações sobre o conflito no Oriente Médio.
