Disparidade salarial de gênero em instituições sem fins lucrativos
Levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que a disparidade salarial entre homens e mulheres é menor em entidades sem fins lucrativos do que no setor privado ou na administração pública. O estudo, baseado no Cadastro Central de Empresas (Cempre), analisou um cenário de 10,6 milhões de organizações que operavam no Brasil em 2024, empregando 68 milhões de pessoas.
Os dados indicam que, enquanto a média salarial dos homens era de R$ 4,2 mil, as mulheres recebiam R$ 3,9 mil, o que equivale a 85,8% da remuneração masculina. Contudo, ao segmentar por natureza jurídica, o IBGE constatou que em entidades sem fins lucrativos, como fundações e sindicatos, as mulheres recebem 95,3% do salário dos homens. Em contraste, nas empresas privadas, esse índice cai para 78,1%, enquanto na administração pública o percentual é de 82%.
Segundo a pesquisadora Caroline Santos, gerente de Análise e Disseminação do IBGE, a maior equidade em entidades sem fins lucrativos pode estar relacionada à concentração de postos ocupados tradicionalmente por mulheres em setores como assistência social, saúde e educação. Apesar da vigência da Lei 14.611, sancionada em julho de 2023 para promover a igualdade salarial, fatores estruturais como a sub-representação feminina em cargos de chefia e as interrupções de carreira devido à maternidade ainda influenciam a média das remunerações no mercado brasileiro.
