Disparidade salarial de gênero e mercado de trabalho brasileiro
Um levantamento divulgado pelo IBGE, com base no Cadastro Central de Empresas, revelou que a disparidade salarial entre homens e mulheres é significativamente menor em entidades sem fins lucrativos do que no setor privado ou na administração pública. Em 2024, o Brasil contava com 10,6 milhões de organizações, nas quais o salário médio mensal era de R$ 3,9 mil, equivalente a 2,8 salários mínimos da época.
Os dados indicam que homens recebiam, em média, R$ 4,2 mil, enquanto a remuneração feminina era de R$ 3,9 mil, configurando uma diferença de 16,6%. Contudo, em entidades sem fins lucrativos, como fundações, sindicatos e organizações religiosas, a remuneração feminina atingiu 95,3% da masculina. Nas empresas privadas, esse índice cai para 78,1%, enquanto na administração pública, que abrange os três poderes, as mulheres ganham 82% do valor pago aos homens.
A pesquisadora Caroline Santos, gerente do IBGE, atribui o cenário em entidades sem fins lucrativos à forte presença feminina em áreas como assistência social e saúde. Apesar da vigência da Lei 14.611, de julho de 2023, que exige equiparação salarial para a mesma função, fatores estruturais como a sub-representação feminina em cargos de liderança e interrupções na carreira devido à maternidade continuam a influenciar a média das remunerações no mercado nacional.
