Estudantes brasileiros apontam ausência de debates raciais escolares
Um estudo inédito divulgado nesta terça-feira (26) revela um descompasso entre a legislação antirracista e a vivência em sala de aula. Aproximadamente 50% dos alunos do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio relatam não reconhecer debates sobre desigualdades raciais, apesar da vigência das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que determinam o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígena.
A pesquisa, intitulada Desigualdade racial na Educação Básica: a percepção de estudantes e professores a partir do Saeb 2023, foi realizada por meio de uma parceria entre o Cebrap, o Instituto Alana e o Instituto Geledés. Os dados indicam uma contradição significativa: enquanto 81,6% dos professores do 9º ano e 71,6% do 3º ano do ensino médio afirmam abordar o tema, menos da metade dos estudantes corrobora essa prática.
Segundo a socióloga Flávia Rios, da USP, a implementação dessas leis ocorre de forma irregular. A pesquisa aponta que a percepção de ausência do debate é maior em escolas privadas, atingindo 60,8% dos alunos, contra cerca de 51% na rede pública. Especialistas como Suelaine Carneiro, do Instituto Geledés, e Beatriz Benedito, do Instituto Alana, defendem que o enfrentamento ao problema exige fiscalização, monitoramento contínuo das políticas educacionais, formação docente e o aumento da diversidade racial no corpo pedagógico.
