Garimpo ilegal adota novas táticas em terras Munduruku
Nas terras indígenas Munduruku, no Pará, garimpeiros têm substituído maquinários pesados por equipamentos menores e menos potentes. A mudança de estratégia ocorre como resposta à intensificação das ações de retirada de invasores durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O relatório O Circuito Espacial do Garimpo Ilegal no Pós-Desintrusão, lançado pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) e o Instituto Mãe Crioula, aponta que o movimento visa driblar a fiscalização e manter os altos lucros da atividade.
O estudo revela que o suporte financeiro ao garimpo, que envolve lavagem de dinheiro e fundos de investimento, também sustenta relações com facções criminosas, como identificado na operação Carbono Oculto da Polícia Federal. Em Jacareacanga e Itaituba, a economia local apresenta sinais de minero-dependência. Dados do IBGE mostram que, em 2022, os indígenas representavam 59,1% da população de Jacareacanga, onde o garimpo é visto por muitos jovens como a única alternativa de renda superior à agricultura, pesca ou artesanato.
Indicadores socioeconômicos refletem o impacto da atividade: entre 2014 e 2023, o número de caminhões quase triplicou em Jacareacanga, saltando de 25 para 69. No mesmo período, o PIB municipal cresceu de R$ 177.489 para R$ 625.760. Para conter a exploração, o governo federal intensificou operações, como a Munduruku Log, em fevereiro de 2025, que bloqueou R$ 24 milhões, e a Flygold II, em dezembro de 2024, que investigou um esquema de R$ 6 bilhões. O levantamento da UEPA, focado no período de 2017 a 2023, contou com apoio do Ministério dos Povos Indígenas.
