Irã alerta para guerra global se EUA atacarem
O Irã emitiu um alerta nesta quarta-feira (20) sobre a possibilidade de estender conflitos para além do Oriente Médio, caso os Estados Unidos (EUA) decidam por um novo ataque. A declaração surge após o presidente Donald Trump indicar que a hora de retomar a campanha militar havia chegado.
Seis semanas após Trump suspender a Operação Fúria Épica em busca de um cessar-fogo, as negociações para encerrar o conflito permanecem em grande parte estagnadas. O Irã apresentou uma nova proposta aos Estados Unidos esta semana, reiterando termos já rejeitados por Trump, como o controle do Estreito de Ormuz, compensação por danos de guerra, o fim das sanções, a liberação de ativos congelados e a retirada das tropas americanas da região.
Na última segunda-feira (18), o presidente Trump revelou que esteve próximo de ordenar uma nova campanha de bombardeio, mas adiou a decisão no último momento para dar mais espaço à diplomacia. O Irã, por sua vez, tem reiterado ameaças de retaliação a novas ações, incluindo ataques a países do Oriente Médio que hospedam bases americanas, e sugeriu hoje que alvos mais distantes também poderiam ser atingidos.
Desde o início da campanha israelense-americana em fevereiro, o Irã tem restringido amplamente o tráfego no Estreito de Ormuz, impactando significativamente o fornecimento global de energia. Em resposta, os EUA impuseram um bloqueio a portos iranianos no mês passado. Recentemente, dois grandes navios-tanque chineses, transportando cerca de 4 milhões de barris de petróleo, deixaram o estreito, sinalizando uma disposição do Irã em aliviar o bloqueio para nações consideradas amigas. O Irã havia anunciado na semana anterior, durante a visita de Trump a Pequim, um acordo para flexibilizar as regras para navios chineses. O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul também informou que um navio-tanque sul-coreano atravessou o estreito em cooperação com o Irã. De acordo com o monitor de transporte marítimo Lloyd’s List, pelo menos 54 navios cruzaram o estreito na semana passada, dobrando o número da semana anterior, embora ainda represente uma fração dos cerca de 140 navios que normalmente o utilizavam diariamente antes do conflito.
