Moradores de favelas do Rio desaprovam operações policiais violentas
Nove em cada dez moradores de comunidades do Rio desaprovam operações policiais com confronto armado, segundo pesquisa inédita realizada por seis organizações da sociedade civil. A pesquisa ouviu 4.080 moradores do Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha, entre os dias 13 e 31 de janeiro deste ano.
Os dados, divulgados nesta quarta-feira (20), indicam que 92% dos entrevistados reprovaram a repetição de operações policiais no modelo atual. Para 68% dos moradores, as operações precisam ser realizadas de outra forma, enquanto 24% acreditam que elas não deveriam ocorrer em favelas.
A pesquisa revela que 91% dos moradores percebem excessos e ilegalidades por parte da polícia nessas operações, com 90% considerando esses excessos inaceitáveis. Mesmo entre os que concordam com as operações, 74% condenam os excessos policiais, demonstrando que a concordância não implica aceitação da violência.
A restrição de circulação é o impacto mais recorrente, apontado por 51% dos que discordam e 41,5% dos que concordam com as operações. Invasão de domicílio ou estabelecimento comercial foi citada por 37,5% dos discordantes e 22,9% dos concordantes.
A percepção de racismo nas operações policiais é majoritária, com 61% afirmando que há racismo no planejamento e execução. Jovens, entre 18 e 29 anos, são os que mais discordam das operações, com 79% de objeção, possivelmente devido à maior exposição às dinâmicas da violência.
O medo da polícia é sentido por 78% dos moradores, alcançando 85% entre os contrários às operações e 59% entre os favoráveis. Mesmo entre os que apoiam as operações, o medo das forças policiais (59%) supera o medo dos grupos armados (53%), evidenciando a convivência com duas formas de violência.
A coordenadora do estudo, Eliana Sousa Silva, destaca a necessidade de pensar em maneiras alternativas de combate ao crime nas favelas, sem o emprego de mais armas. Ela ressalta que o direito à vida de moradores empobrecidos, como os de favelas, é ameaçado por um enfrentamento que gera processos genocidas e chacinas.
