Julgamento de Caso Henry Borel entra em novo dia de depoimentos
O julgamento sobre a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, chegou ao seu sétimo dia neste domingo (31). Os réus no processo são o ex-vereador Jairo Souza Santos e a professora Monique Medeiros, pais do garoto, acusados pelo crime. O Tribunal do Júri iniciou a oitiva das testemunhas de defesa no sábado (30) e continuou durante o domingo, com a expectativa de que a sessão se estenda por toda a semana.
Sob a presidência da juíza Elizabeth Machado Louro, o júri ouviu no sábado e domingo depoimentos cruciais. Entre eles, destacou-se o do engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e principal testemunha de defesa. Por mais de 8 horas, ele respondeu a questionamentos da magistrada, das defesas e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Bryan descreveu a irmã como uma mãe zelosa e dedicada, ressaltando o bom relacionamento familiar e a forma como Monique e Leniel Borel, pai de Henry, enfrentavam os desafios da vida.
Bryan também comentou sobre o relacionamento de sua irmã com Jairo, que teria se iniciado pela internet, e que o padrasto de Henry demonstrava ser gentil, sem que familiares suspeitassem de qualquer ato violento. Ele relatou que, após a divulgação de laudos que ligavam as lesões de Henry a agressões, Jairo teria tentado persuadir Monique a mentir. A família, alertada sobre possível manipulação, buscou defesas separadas. O irmão de Monique assegurou que a criança era prioridade para ela e que ela jamais permitiria agressões.
No sábado, foram ouvidos também um colega de trabalho de Monique e uma funcionária da brinquedoteca do condomínio onde o crime ocorreu, que a descreveu como atenciosa com a criança. Na sexta-feira (29), os jurados ouviram as testemunhas de acusação, incluindo o pai de Henry, Leniel Borel, cujo depoimento se estendeu até as primeiras horas de sábado. O advogado Cristiano Medeiros, assistente da acusação ligada a Leniel, afirmou que o depoimento de Bryan não altera o conjunto probatório, pois baseia-se em relatos de Monique após sua prisão, com claro viés defensivo. Ele lembrou que documentos comprovam as lesões de Henry sob os cuidados da mãe e do padrasto.
A defesa de Jairo argumenta que a laceração hepática fatal de Henry teria sido causada por manobras de ressuscitação no hospital, tese refutada pelo médico-legista Luiz Carlos Leal Preste. Outro legista, Luiz Airton Saveedra de Paiva, detalhou 14 lesões, incluindo traumatismos cranianos e contusões no tórax e abdômen, afirmando que Henry já estava sem vida ao chegar à unidade de saúde. O delegado Henrique Damasceno confirmou que Jairo tentou pressionar o hospital para atestar a morte sem perícia.
Conforme a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Jairo teria espancado Henry até a morte, com Monique se omitindo de sua responsabilidade, configurando homicídio. O Ministério Público relata que Jairo já havia submetido o menino a sofrimento físico e mental com violência em outras três ocasiões em fevereiro de 2021. Jairo é acusado de homicídio qualificado por tortura e meio cruel, fraude processual e coação no curso do processo, entre outros. Monique responde por sete crimes, incluindo homicídio qualificado por omissão e omissão.
