Mães lançam Tribunal Popular contra violência estatal em SP
Mães e familiares de vítimas da violência estatal iniciaram a segunda fase do Tribunal Popular, um mecanismo simbólico de julgamento contra o Estado brasileiro pelos Crimes de Maio. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (14), em São Paulo, durante seminário na sede seccional da OAB-SP, articulado pelo Movimento Mães de Maio com apoio da Conectas Direitos Humanos e da Iniciativa Negra.
Segundo o advogado Gabriel de Carvalho Sampaio, da Conectas, a iniciativa busca responsabilização política e ética diante da ausência de condenações formais nas vias judiciais para os crimes ocorridos há 20 anos. O tribunal pretende realizar oitinerar por debates, oitivas e escutas territoriais até 2027, quando um julgamento final reunirá representantes nacionais e internacionais para expor o impacto da violência institucional.
Débora Maria da Silva, mãe de Edson Rogério Silva dos Santos, reforçou que o objetivo é coletar denúncias sobre a letalidade policial e os falhos modelos de segurança pública. Os Crimes de Maio, iniciados em 2006, resultaram em 505 civis mortos e 59 agentes públicos, com suspeitas de execução por policiais em pelo menos 122 casos, atingindo majoritariamente jovens negros e periféricos.
