Migrantes Morrem em Debandada para Ceuta; Vítimas Chegam a 72
O número de mortos na debandada de migrantes em direção a Ceuta, enclave espanhol no norte da África, vindos de Marrocos, subiu para pelo menos 72 neste domingo (2). As autoridades encontraram mais cinco corpos ao longo da costa de Ceuta.
Mais de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e mar em um fluxo sem precedentes que começou na quinta-feira, representando um alarme para o bloco europeu. Mais de 48 mil pessoas retornaram ao Marrocos em 48 horas e outras tantas durante o fim de semana, segundo dados das autoridades espanholas.
O representante do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, informou que, além das 72 mortes, mais de mil pessoas foram atendidas pelos serviços de saúde desde quinta-feira. Ele afirmou que a situação na cidade melhorou consideravelmente, mas ainda há trabalho a ser feito para normalizar o cotidiano.
Alguns migrantes morreram afogados e outros foram esmagados ao tentar escalar o quebra-mar e a cerca da fronteira. Dificuldades econômicas e boatos disseminados nas redes sociais foram apontados como motivadores para a migração.
Karima Abenaz, cidadã francesa com familiares em Marrocos, expressou sua dor ao ver jovens morrendo no mar, questionando a justiça de que, em 2026, mulheres e crianças recém-nascidas enfrentem tal risco. Ela ressaltou que em Marrocos há recursos, mas a falta de empregos dignos impulsiona a busca por direitos, e não pela morte no mar.
O líder de Ceuta, Juan Jesús Vivas, comunicou ao jornal El País que o necrotério da cidade recebeu 88 cadáveres, incluindo de menores que tentaram chegar ao território em travessias noturnas a nado nas últimas duas semanas. Autoridades marroquinas também estariam recuperando corpos do mar, sem confirmação oficial.
As autoridades reforçaram o patrulhamento policial e militar, e instalaram uma barreira flutuante de 500 metros ao largo de Ceuta no sábado. Vinte e dois Estados-Membros da UE solicitaram ação coordenada para proteger as fronteiras externas. A Itália suspendeu por um mês o acordo de livre circulação de pessoas com a Espanha dentro do Espaço Schengen.
A Espanha tem mantido uma postura mais aberta em relação a migrantes que a maioria dos países da UE, com um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentos. O governo rejeitou a ideia de que este programa tenha incentivado a entrada descontrolada em Ceuta, ressaltando que os que ingressaram irregularmente não podem viajar para a Espanha continental ou outras partes da zona Schengen.

