Motoristas de aplicativos enfrentam risco crescente de endividamento
A motorista de aplicativo brasiliense Bárbara Sousa, de 28 anos, exemplifica a precariedade do setor ao acumular uma dívida de R$ 2,5 mil após problemas mecânicos em seu veículo. Com ganhos diários de R$ 300, a profissional enfrenta dificuldades para cobrir os custos operacionais, vendo-se forçada a parcelar despesas emergenciais no cartão de crédito.
Uma pesquisa do Tribunal Superior do Trabalho (TST) alerta que os 1,7 milhão de trabalhadores de plataformas digitais no Brasil estão expostos a alto risco de endividamento. O estudo aponta que os custos mensais de operação atingem R$ 5.566 para quem possui veículo próprio e R$ 5.706 para motoristas de carros alugados, incluindo gastos com combustível, manutenção, depreciação e seguros.
O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, critica o modelo de negócio das plataformas, argumentando que a suposta liberdade empreendedora mascara violações à dignidade do trabalhador. Segundo o estudo, o sistema de empréstimos oferecido pelas empresas, que desconta até 30% das corridas, perpetua práticas de exploração em ambiente digital, transferindo todos os riscos da atividade para o motorista.
