Mulheres quilombolas enfrentam desafios climáticos na produção agrícola
A agricultora Sueli Bessa, de 39 anos, da comunidade Nova Esperança em Baraúna (RN), relata que a escassez de chuvas tem prejudicado drasticamente o cultivo de frutas como a goiaba. A situação é um dos temas centrais do encontro nacional das mulheres quilombolas, realizado no Gama (DF), que discute justiça climática e contou com a presença do presidente Lula.
As dificuldades climáticas, somadas à falta de infraestrutura e abastecimento de água, forçaram muitas famílias a abandonar a agricultura familiar. Para suprir a renda, parte dos moradores, incluindo jovens como Suelene Ribeiro, de 21 anos, busca emprego em indústrias distantes, enquanto reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção dos territórios.
A Conaq lançou o livro Vozes quilombolas: mulheres em defesa do clima, organizado pela agrônoma Fran Paula, que denuncia o racismo ambiental e os impactos de grandes empreendimentos. O estudo destaca a importância da regularização fundiária, como no território Mesquita (GO), que aguarda a demarcação para 785 famílias, e no caso da comunidade Divino Espírito Santo (ES), onde a produção do tradicional beiju é ameaçada por mudanças climáticas e agrotóxicos.
