Prédio histórico abrigará museu do Cais do Valongo
O Edifício Docas André Rebouças, construção imperial localizada na região portuária do Rio de Janeiro, será transformado no novo Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo. O projeto, orçado em R$ 77 milhões com recursos da União, tem previsão de três anos para ser concluído, visando oferecer uma estrutura adequada de visitação ao sítio arqueológico, patrimônio da humanidade reconhecido pela Unesco.
O futuro centro abrigará o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana e o Memorial André Rebouças, homenageando o engenheiro baiano, primeiro negro da profissão no Brasil e nome central do movimento abolicionista. Segundo o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, o espaço será destinado a um acervo de aproximadamente um milhão de itens, incluindo anéis, cachimbos e peças de vestuário que remetem à história da chegada de africanos escravizados às Américas.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, classificou a iniciativa como uma medida de reparação histórica. O comitê gestor do projeto, que integra o governo e a sociedade civil, como o representante da Casa da Tia Ciata, Nilson Moreira, busca preservar a essência da Pequena África. A região, que já concentra pontos como o Quilombo da Pedra do Sal e o Cemitério dos Pretos Novos, ganhará também o Centro Cultural Rio-Áfricas, reforçando a importância da memória afro-brasileira na capital fluminense.

