Projeto combate lobomicose entre populações vulneráveis na Amazônia
O projeto Aptra Lobo, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Einstein Hospital Israelita, busca estruturar o manejo da lobomicose no Sistema Único de Saúde (SUS). A doença, historicamente negligenciada, atinge principalmente comunidades ribeirinhas, povos originários e extrativistas na Região Norte, tendo registrado 907 casos no país, sendo 496 apenas no Acre.
Augusto Bezerra da Silva, seringueiro de 65 anos, é um dos 104 pacientes acompanhados pelo projeto. Diagnosticado com a enfermidade aos 20 anos, o paciente enfrentou décadas de isolamento social e desfiguração devido às lesões causadas pelo fungo. Com a intervenção clínica e o uso do antifúngico itraconazol, o projeto já apresenta melhora significativa nas lesões de mais de 50% dos participantes, permitindo a reintegração familiar de pacientes como seu Augusto.
Sob a supervisão do infectologista e patologista clínico doutor João Nobrega de Almeida Júnior, a iniciativa atua no Acre, Amazonas e Rondônia para superar as barreiras logísticas de acesso a áreas remotas. Além de oferecer tratamento e biópsias, o projeto lançou um manual prático e trabalha na elaboração de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para 2026, com o objetivo de deixar um legado permanente no enfrentamento desta micose endêmica.
