Protestos na Argentina barram venda de terras a estrangeiros
A pressão popular e política na Argentina forçou o governo de Javier Milei a retirar de votação o projeto que facilitava a compra de terras por estrangeiros. O tema, que pretendia elevar o limite de propriedade estrangeira por província de 15% para 25%, enfrentou forte resistência após o governo ter tentado, sem sucesso, derrubar as restrições via decreto presidencial em dezembro de 2023.
A mobilização ganhou força com o apoio de personalidades como Lali Espósito, Milo J, Nicki Nicole e o zagueiro Lisandro Martinez. O movimento foi impulsionado pelo simbolismo da soberania nacional, resgatado durante as recentes partidas da seleção argentina contra a Inglaterra, onde o uso da frase ‘as Malvinas são argentinas’ conectou o sentimento patriótico dos ex-combatentes do Cecim La Plata à oposição contra o projeto legislativo.
Apesar do recuo, o governo Milei mantém na pauta medidas que permitem a venda de áreas protegidas atingidas por incêndios florestais. O cientista político Leandro Gabiati aponta que a pressão de governadores e de senadores como Alfredo De Angeli e Maximiliano Abad foi decisiva para o impasse. Enquanto o governo justifica a medida como incentivo a investimentos, críticos como o professor Hernán Hougassian alertam para os riscos de especulação imobiliária em áreas ambientalmente sensíveis.

