Queda recorde na ajuda internacional aos países pobres
O volume de ajuda internacional destinado por nações ricas a países em desenvolvimento e instituições multilaterais registrou uma queda de 23,1% entre 2024 e 2025, a maior redução já documentada. Segundo o estudo Financiamento para o Desenvolvimento, realizado pelo Brics Policy Center da PUC-Rio, o auxílio total caiu para US$ 174,3 bilhões, um recuo de US$ 52,4 bilhões em termos reais. Este é o segundo ano consecutivo de retração, com projeção de nova queda de 6,9% em 2026.
O levantamento, que utiliza dados do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento da OCDE, aponta que cinco potências – França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos – são responsáveis por 95,7% do corte global. Apenas os Estados Unidos responderam por 75,1% da diminuição, cortando sua ajuda em 56,9%, movimento associado ao novo mandato de Donald Trump e à sua postura contrária ao multilateralismo. Outros países também reduziram seus aportes de forma consecutiva, como Alemanha (-17,4%), França (-10,9%), Reino Unido (-10,8%) e Japão (-5,6%).
A retração reflete uma mudança nas prioridades orçamentárias, com o direcionamento de verbas para defesa e segurança energética, impulsionado pelo conflito na Ucrânia. Enquanto o financiamento ao sistema ONU caiu 27%, a Ucrânia manteve-se como principal recebedora estratégica, recebendo R$ 44,9 bilhões. Impactos humanitários graves são esperados, com estimativas da Oxfam de 695.238 mortes adicionais em 2025 decorrentes dos cortes, afetando severamente a África Subsaariana, onde a ajuda encolheu 23%.

