Vacina contra dengue do Butantan suspensa por reações graves
Municípios e estados devem armazenar as doses da vacina contra dengue do Butantan enquanto aguardam novas orientações do Ministério da Saúde. A informação foi confirmada por Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações.
A suspensão temporária da aplicação ocorreu após o registro de 42 casos de reações graves e duas mortes, que estão sob investigação para determinar a correlação com o imunizante. A vigilância de rotina do Programa Nacional de Imunização (PMI) identificou os indivíduos que apresentaram sintomas como dor abdominal, vômitos persistentes, episódios de sangramento e perda de consciência. Três casos graves com quadro típico de dengue necessitaram de internação.
Até o dia 30 de maio, mais de 501 mil pessoas haviam sido vacinadas com o imunizante, incluindo profissionais de saúde e público acima de 15 anos em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Araguaína (TO). O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão é uma medida de precaução e não invalida a eficácia da vacina na prevenção de dengue.
Casos adversos inesperados surgiram durante a aplicação em larga escala, demonstrando o funcionamento da vigilância do PMI. A expectativa é que novas notificações de reações adversas sejam identificadas após a divulgação dos casos e da suspensão. Pessoas vacinadas nos últimos 21 dias devem atentar para sintomas como febre, dor no corpo, manchas na pele, sangramento e vômito, buscando atendimento médico caso ocorram.
Indivíduos vacinados há mais de 21 dias não correm risco e já estão protegidos contra a dengue. A vacina do Butantan evita 65% dos casos da doença e mais de 80% dos casos graves e hospitalizações. Paralelamente, a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, recomendada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua sendo aplicada normalmente, pois não apresentou alertas de segurança. A vacina do Butantan é indicada apenas para pessoas a partir de 15 anos.
Um comitê de especialistas será convocado para estudar os casos detectados pela vigilância e auxiliar na definição de prazos e decisões futuras sobre o imunizante do Butantan. Ainda é cedo para prever quando uma decisão definitiva será tomada.
