Parada LGBT de São Paulo enfrenta desafios políticos
A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo enfrenta um cenário de pressão política e crise financeira. A Câmara Municipal aprovou, em primeira votação, um projeto de lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos que fomentem práticas LGBTQIA+, mesmo acompanhados pelos pais. O texto também impõe restrições ao uso de vias públicas para manifestações, sob ameaça de multa, o que afeta diretamente a ocupação da Avenida Paulista, local tradicional do evento desde 1997.
Especialistas e juristas, como Ariel de Castro Alves, da OAB, classificam a proposta como inconstitucional, citando a igualdade perante a lei garantida pela Constituição Federal. A drag queen Tiffany e o presidente da APOLGBT-SP, Pereira, apontam que o projeto reflete uma onda de conservadorismo nacional. Paralelamente, a organização enfrenta uma queda de 60% nos patrocínios, dificultando a realização da Feira da Diversidade e de outros projetos sociais que dependem desse financiamento.
Em resposta ao contexto político, a Parada adotou o tema ‘A rua convoca, a urna confirma’, enfatizando a importância do voto para a defesa de direitos. Além da marcha principal, o evento promove o Encontro Brasileiro de Organizações de Paradas LGBT+ e a Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo, que ocorrerá em 4 de junho no Vale do Anhangabaú, reunindo 60 tendas de comunidades criativas, 100 artistas e serviços de saúde pública, como testagem de ISTs e distribuição de insumos.
