Estado pede desculpas por desaparecimento de estudante da UnB
Após quase 45 anos, o governo brasileiro formalizou um pedido público de desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-aluno de Direito da Universidade de Brasília (UnB). A cerimônia, realizada na própria instituição, contou com a presença de familiares, ex-colegas, membros da Comissão de Mortos e Desaparecidos na ditadura e da Comissão de Anistia, marcando um ato de reparação simbólica à vítima e à sociedade brasileira.
Natural de Morrinhos (GO) e filho do deputado federal cassado Pedro Celestino da Silva, Paulo de Tarso formou-se em 1969 e militou na Ação Libertadora Nacional (ALN). Segundo registros, ele foi capturado no Rio de Janeiro em 12 de julho de 1971 por agentes do DOI-CODI do I Exército e levado à Casa da Morte, centro clandestino em Petrópolis. Relatos de sobreviventes, incluindo Inês Etienne Romeu, indicam que o estudante sofreu torturas brutais por 48 horas sob a supervisão de agentes identificados como Dr. Roberto, Laecato, Dr. Guilherme, Dr. Teixeira, Zé Gomes e Camarão.
Durante o evento oficial, a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Melo, reafirmou a responsabilidade do Estado pelas violações ocorridas no período ditatorial. A reitora da UnB, Rozana Naves, destacou que a trajetória de Paulo de Tarso simboliza a resistência acadêmica contra o autoritarismo. O governo enfatizou que este ato integra um esforço contínuo de fortalecimento das políticas de memória e verdade, visando enfrentar os traumas geracionais causados pela repressão estatal.
