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Barreira digital separa comunidade pobre do Porto Digital

Barreira digital separa comunidade pobre do Porto Digital

Barreira digital separa comunidade pobre do Porto Digital

No coração do Recife Antigo, a comunidade do Pilar enfrenta uma disparidade tecnológica visível. Ana Cláudia Miguel, líder comunitária, descreve um muro invisível de bytes que separa os 600 domicílios do Pilar, formados majoritariamente por famílias negras (73%) e chefiadas por mulheres (76%), do polo de tecnologia Porto Digital, que abriga mais de 500 empresas e faturou R$ 7,4 bilhões em 2025.

Apesar de 90,5% dos brasileiros acessarem a internet em 2025, a qualidade da inclusão digital é desigual. Dados da PNAD-TIC 2026 do IBGE mostram que 59,2% dos domicílios não possuem computadores ou tablets, restando a dependência exclusiva de dados móveis. Essa limitação impossibilita o uso pleno da rede para fins educacionais e profissionais, conforme relata Eurídize Lima de Santana, estudante que trancou o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas por não ter condições de adquirir um computador, cujo valor mínimo estimado é de R$ 3,5 mil.

A advogada Flávia Lefrève aponta que a prática comum de provedoras, que bloqueiam o acesso após o consumo da franquia de dados, viola o Marco Civil da Internet e a neutralidade da rede. O fenômeno resulta em um uso restrito a aplicativos da Meta, como WhatsApp e Facebook, em detrimento do acesso irrestrito à informação. O impasse, que limita o desenvolvimento educacional de jovens como os do programa Pilar Universitário, é objeto de um processo administrativo movido pela Coalizão de Direitos da Rede junto à Secretaria Nacional do Consumidor, ainda sem resposta do Ministério da Justiça.

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