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Copa América de 2019: A virada da Argentina e Messi

Copa América de 2019: A virada da Argentina e Messi

Copa América de 2019: A virada da Argentina e Messi

A trajetória da seleção argentina, que culminou no título da Copa América e na conquista da Copa do Mundo de 2022, tem suas raízes fincadas em momentos cruciais como a Copa de 2018, na Rússia, e a Copa América de 2019, realizada no Brasil. Apesar de não terem conquistado o troféu continental em 2019, os argentinos retornaram para casa com a sensação de que uma transformação significativa estava em curso.

O Mundial de 2018 foi decepcionante para a Argentina, tanto em campo quanto fora dele. A fase de grupos foi marcada por atuações abaixo do esperado, incluindo um empate com a Islândia, onde Lionel Messi desperdiçou um pênalti, e uma derrota contundente para a Croácia. Após a partida contra os croatas, o técnico Jorge Sampaoli enfrentou um motim liderado por Messi e Javier Mascherano, que buscavam maior participação nas decisões da equipe. Apesar da vitória subsequente sobre a Nigéria, a eliminação nas oitavas de final para a França adiou o sonho do título mundial.

Sampaoli deixou o cargo, e a Associação de Futebol Argentino (AFA) passou por um período de incerteza na escolha de um novo treinador. Lionel Scaloni e Pablo Aimar, ambos vindos da seleção sub-20, assumiram interinamente, com Scaloni sendo efetivado posteriormente. Sua nomeação foi alvo de críticas da mídia e até mesmo de Diego Maradona, que questionou sua capacidade técnica.

A Copa América de 2019 apresentou uma Argentina renovada. Apenas 10 dos 23 jogadores que participaram da Copa de 2018 permaneceram. Nove atletas fizeram sua estreia na seleção principal, muitos dos quais se tornariam peças fundamentais no futuro, como Rodrigo De Paul, Leandro Paredes e Lautaro Martínez, que viriam a ser campeões mundiais em 2022. A campanha na Copa América foi desafiadora, com uma derrota para a Colômbia na estreia, um empate com o Paraguai e vitórias sobre Catar e Venezuela. Nas semifinais, no Maracanã, a Argentina foi superada pelo Brasil por 2 a 0, em uma partida marcada por reclamações sobre a arbitragem por parte dos argentinos. Messi, em uma rara demonstração de indignação, chegou a falar em ‘armadilha’ para favorecer o Brasil.

Apesar de terminar em terceiro lugar, após vencer o Chile por 2 a 1 em um jogo que resultou na expulsão de Messi, o apoio ao projeto de Scaloni permaneceu. A confiança depositada no técnico se mostrou acertada. Dois anos depois, em nova Copa América sediada no Brasil, uma Argentina mais entrosada e letal conquistou o título. Um passe de De Paul resultou no gol de Ángel Di María contra Ederson, decretando o fim de um jejum de 28 anos sem títulos e, mais importante, o primeiro troféu de Messi pela seleção principal.

Essa conquista simbolizou a transformação da ‘nova’ Albiceleste, apelidada de ‘Scaloneta’, em contraste com as seleções que fracassaram em finais anteriores. A equipe contava com um goleiro confiável (Dibu Martínez), uma defesa sólida com a combinação de veteranos e novatos como Nahuel Molina e Cristian Romero, e um meio-campo dinâmico com Paredes e De Paul, permitindo que Messi focasse no ataque. O próprio camisa 10 evoluiu, tornando-se um líder mais efetivo e letal.

Os números refletem essa metamorfose de Messi. Até 2018, ele marcou 65 gols em 127 jogos pela Argentina, com uma média de 0,51 gols por partida e nenhum título. De 2019 para cá, em 71 jogos, marcou 60 gols (média de 0,84) e conquistou quatro títulos: duas Copas América (2021 e 2024), a Finalíssima de 2022 e a Copa do Mundo de 2022. O Mundial do Catar demonstrou a resiliência da equipe, que, após uma derrota na estreia para a Arábia Saudita, reencontrou o caminho da glória, culminando na vitória em 18 de dezembro de 2022.

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