Justiça eleva indenização por racismo institucional na Uerj
A Justiça do Rio de Janeiro determinou o aumento da indenização para R$ 35 mil para cada uma das três estudantes vítimas de racismo na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O caso ocorreu há dois anos, durante um processo seletivo para o programa de Serviço Social da Residência em Saúde, quando as candidatas foram forçadas por fiscais a prenderem os cabelos, uma exigência ausente no edital.
O desembargador Luiz Alberto Carvalho Alves, relator na Sétima Câmara de Direito Público, classificou o episódio como discriminação indireta e racismo institucional, ressaltando o tratamento desigual imposto às candidatas negras. A socióloga Lara Miranda, pesquisadora do Núcleo Afro do Cebrap, destacou que o ocorrido reflete um policiamento estético sobre corpos negros e defendeu que indenizações servem como uma sinalização necessária contra práticas discriminatórias nas instituições.
Após o incidente, a Uerj afastou os fiscais e anulou a prova, que foi reaplicada dois meses depois. Em comunicado oficial emitido nesta sexta-feira (18), a instituição reiterou seu compromisso com o acolhimento das vítimas e afirmou seguir com práticas voltadas ao combate de preconceitos em seus processos internos.

