Carla Zambelli pede salvo-conduto ao STF para voto
A ex-deputada Carla Zambelli protocolou um pedido de salvo-conduto junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para retornar ao Brasil. O objetivo da ex-parlamentar é exercer seu direito ao voto em sua mãe, Rita Luzia Zambelli Salgado, que é candidata a deputada federal pelo PL de São Paulo.
Na peça protocolada na segunda-feira (22), a defesa de Zambelli afirma a existência de mandados de prisão em aberto contra ela. Adicionalmente, a Justiça italiana negou sua extradição para o Brasil, considerando duvidosa a imparcialidade da Primeira Turma do STF, colegiado responsável por duas condenações da ex-deputada. A defesa também questionou a idoneidade do ministro Alexandre de Moraes, relator dos casos de Zambelli, devido a um pedido de investigação contra ele no caso do Banco Master, que ainda não foi votado pelo plenário do STF.
A argumentação da defesa sustenta que, diante deste cenário, Zambelli possui o direito de vir ao Brasil para votar sem ser detida. “O risco de prisão no ingresso, na permanência ou na saída do País inviabiliza o exercício dessa finalidade e torna necessária a tutela preventiva da liberdade de locomoção”, declarou a defesa. A ação foi endereçada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que é o relator do pedido de investigação contra Moraes. Zambelli solicita autorização para chegar ao Brasil em 3 de outubro, votar em 4 de outubro e embarcar de volta para a Itália no dia seguinte.
A ex-deputada, ainda filiada ao PL de São Paulo, foi condenada a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo em 2025, pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Ela foi considerada culpada por liderar uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2022, com o propósito de inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. A motivação, conforme a condenação, era desmoralizar o Poder Judiciário em meio às eleições presidenciais iminentes.
Ainda em 2025, Zambelli foi novamente condenada pelo STF, desta vez a 5 anos e 3 meses de prisão em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Este caso se refere à perseguição do jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Após a primeira condenação, e antes da expedição da ordem para cumprimento da pena, Zambelli utilizou seu passaporte europeu para viajar para os Estados Unidos e, posteriormente, para a Itália, onde solicitou refúgio por perseguição política.
Ela chegou a ser presa em Roma a pedido do STF, por intermédio do governo brasileiro, que solicitou sua extradição imediata. A primeira instância da Justiça italiana concedeu a extradição, mas a decisão foi posteriormente cassada por um tribunal de apelação. A corte italiana considerou duvidosa a atuação do ministro Alexandre de Moraes, por figurar como juiz e vítima no mesmo processo.

