Acervo inédito revela face política de Milton Santos
Vinte e cinco anos após a morte de Milton Santos, completados nesta quarta-feira (24), o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP) reavalia o legado do pensador através de seu acervo de 60 mil itens. A nova geração de estudantes e pesquisadores tem impulsionado a análise de aspectos pouco explorados de sua trajetória.
O professor Maurício Costa, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), destaca que as pesquisas atuais avançam para além da geografia tradicional, focando na relação de Santos com o movimento negro e o continente africano. O pensador foi um dos primeiros brasileiros a estudar a obra de Frantz Fanon e a abordar questões raciais desde o seu livro de estreia, O Povoamento da Bahia.
Para o professor Sérgio Henrique de Oliveira, da Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila), os documentos desmontam o mito de que Santos não atuou no movimento negro. O intelectual é agora reconhecido como um elaborador fundamental sobre a exclusão social, servindo de base teórica para movimentos como o MST e o MTST.
Regina Lucia Santos, geógrafa e coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU), ressalta que conceitos niltonianos de solidariedade mútua e enfrentamento à escassez são aplicados na prática nas periferias. Milton Santos, nascido em 1926 e falecido em 2001, permanece como uma das figuras mais influentes do século 20, tendo superado o racismo estrutural para redefinir a compreensão do espaço geográfico global.
