Comissão de Anistia reconhece Sindicato dos Metalúrgicos como anistiado
O Estado brasileiro formalizou um pedido de desculpas ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes pelas perseguições e violências sofridas durante a ditadura militar entre 1964 e 1985. A decisão ocorreu nesta quinta-feira (2), durante sessão da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que concedeu à entidade o status de anistiado político coletivo.
O relator do processo, o advogado trabalhista Prudente José Silveira Mello, destacou que a perseguição aos sindicatos antecedeu a deposição do presidente João Goulart em 1º de abril de 1964. O relatório citou assassinatos de militantes, como Olavo Hanssen, Luiz Hirata, Manoel Fiel Filho, Nelson Pereira de Jesus e Santo Dias, reforçando que empresas colaboraram com o regime repressivo e deveriam, segundo o relator, arcar com parte dos custos de reparação econômica às vítimas.
Representando a entidade, Geraldino dos Santos Silva relembrou os abusos vivenciados a partir de 1974, mencionando a vigilância constante do Deops e a tortura imposta aos sindicalistas. Para o representante, a decisão da Comissão de Anistia representa um marco histórico e um reconhecimento justo à trajetória de luta e resistência democrática do sindicato contra as violações de direitos individuais e trabalhistas ocorridas durante o período de exceção.
