Drones e tratores autônomos revolucinam o agronegócio brasileiro
O agronegócio brasileiro está passando por uma profunda transformação operacional com a consolidação de tecnologias de automação, como tratores autônomos e drones agrícolas. Essas ferramentas modernas substituem o modelo tradicional de campo, contribuindo para a redução do desperdício de insumos e a otimização da tomada de decisões no setor.
Em entrevista ao Podcast Canaltech, o engenheiro agrônomo e diretor comercial da Sell Agro, Alexandre Gazoni, ressaltou a alta velocidade dessa transição no país. Segundo o especialista, o setor já conta com plantadeiras autônomas e equipamentos aéreos de alta performance, comparáveis ao ritmo de atualização da telefonia móvel. Os drones demonstram vantagens práticas em terrenos de difícil acesso, como áreas alagadas ou com bordas de mata, onde maquinário terrestre enfrenta restrições e aviões agrícolas perdem tempo em manobras de alinhamento.
A integração dessas tecnologias gera uma economia significativa para o produtor, com potencial de economia de até R$ 3 mil por dia apenas com combustível de aeronave. O impacto financeiro também se estende à preservação das culturas durante a aplicação de defensivos. Enquanto tratores tradicionais podem esmagar plantas em lavouras fechadas, gerando perdas mensuráveis na colheita – exemplificado por um ganho de 6 sacos de soja a mais em áreas tratadas por drone –, o uso de drones minimiza esses danos. Essa eficiência valida o investimento em frotas tecnológicas para propriedades de todos os portes.
Apesar dos benefícios econômicos, a expansão dessas ferramentas enfrenta desafios como a falta de conhecimento técnico e barreiras culturais. A compra de equipamentos de segunda mão por operadores sem treinamento adequado pode levar a erros de aplicação química e danos às lavouras. Gazoni enfatiza que o drone exige um manuseio preciso, comparando-o a um bisturi e não a uma marreta, para garantir a rentabilidade projetada. A evolução do setor aponta para um gerenciamento baseado em inteligência de dados e processos autônomos noturnos, com fazendas já utilizando pulverizações aéreas automatizadas durante a noite combinadas com monitoramento via satélite de alta precisão, afastando a fazenda tradicional de modelos antigos para uma operação de alta tecnologia.
