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Escritor aborda desaparecimento e violência em novo livro

Escritor aborda desaparecimento e violência em novo livro

Escritor aborda desaparecimento e violência em novo livro

O escritor Itamar Vieira Junior lança “Coração sem Medo”, obra que conclui sua trilogia sobre a terra, iniciada com “Torto Arado” e seguida por “Salvar o Fogo”. O novo livro foca no drama do desaparecimento de um filho, tema que, segundo o autor, ressoa fortemente com as populações periféricas do Brasil e atravessa a história da humanidade.

A trama de “Coração sem Medo” acompanha Rita Preta, uma personagem em Salvador que vive a angústia do sumiço de seu filho. Essa narrativa ficcional espelha uma dura realidade: no primeiro semestre de 2023, o Brasil registrou 43.828 pessoas desaparecidas, uma média de 242 por dia. No ano anterior, foram 85.232 casos. Os dados são do Painel Estatístico do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça.

Em entrevista, Itamar Vieira Junior destacou que, embora o desaparecimento atinja todas as classes sociais, as maiores vítimas são mães em comunidades carentes. O autor ressalta que a literatura tem o poder de humanizar essas histórias, que frequentemente são tratadas superficialmente pela imprensa. Para ele, a arte não oferece respostas, mas provoca reflexões e incômodos, que podem impulsionar mudanças.

O romance transita da abordagem rural de “Torto Arado” para o ambiente urbano de Salvador, explorando as contradições históricas e a chegada de diversos povos à capital baiana. A história de Rita Preta reflete a experiência de muitos que migraram do campo para a cidade em busca de melhores condições, mas se depararam com novos conflitos e desigualdades.

A questão da terra, seja como espaço físico, memória ancestral ou identidade de um povo, perpassa toda a trilogia. O desaparecimento do filho de Rita Preta, em “Coração sem Medo”, é comparado à disputa por terra em “Torto Arado” e ao patrimônio de uma igreja em “Salvar o Fogo”. O autor argumenta que esses corpos e territórios, quando subtraídos, evidenciam a persistência de violências históricas que afetam comunidades e impedem seu pleno desenvolvimento.

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