Guia Eleições 2026: Seis Dicas Cruciais para Escolher Candidatos
Com as Eleições de 2026 se aproximando, eleitores buscam definir seus votos. A tarefa de selecionar candidatos aptos a representar a população tornou-se mais complexa devido a questões como o caso Master e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que ofuscaram o debate sobre propostas.
Especialistas orientam eleitores a analisar critérios para escolher candidatos alinhados a seus interesses e visões de mundo, evitando armadilhas como “puxadores de voto” e propostas genéricas. Compreender quem financia campanhas, quais são as propostas e seus impactos práticos é fundamental para um voto responsável.
Antes de avaliar propostas ou currículos, é essencial a autoanálise e a reflexão sobre a coletividade. Interesses diversos, como os de empresários, trabalhadores assalariados e autônomos, podem divergir em temas como a escala 6×1. Questões de gênero também se mostram relevantes, com mulheres representando 53% do eleitorado, mas com baixa representatividade no Congresso Nacional (15% no Senado e 17% na Câmara).
Decisões políticas implicam escolhas distributivas e a administração de conflitos. O professor de Ciência Política João Feres Júnior (UERJ) ressalta a importância do eleitor ter clareza sobre seus próprios interesses políticos e econômicos, e se os candidatos realmente os representarão. A qualidade da informação disponível sobre práticas políticas e propostas é um desafio, com a imprensa frequentemente focada em escândalos.
É crucial compreender as atribuições de cada cargo para evitar frustrações e promessas vazias. Um deputado, por exemplo, não pode construir hospitais ou pavimentar ruas, tarefas do Poder Executivo. Socióloga Débora Messemberg (UnB) destaca que legisladores têm poder sobre verbas públicas e orçamento, mas não executam políticas. Promessas de obras por candidatos ao Legislativo indicam falta de compreensão de suas competências.
As competências incluem: Presidente da República (exercício do Executivo, nomeação de ministros, comando das Forças Armadas, envio do orçamento, sanção de leis, relações internacionais); Governadores (nomeação de secretários estaduais, sanção de leis estaduais, intervenção em municípios, administração da segurança pública, ensino e infraestrutura estadual); Deputados (aprovação e modificação de leis, fiscalização do Executivo, participação no orçamento); e Senadores (representação da unidade federativa, aprovação de leis federais, sabatina de ministros e julgamento de autoridades).
Analisar o conteúdo de campanha e o histórico dos candidatos é relevante, mas desafiador pela falta de tempo do eleitor. Francisco Uribam Xavier de Holanda (UFC) aponta a complexidade do financiamento de campanha e a manipulação de discursos baseados em pesquisas. O histórico de votações e atuações em projetos pode revelar incoerências e falsas promessas. O eleitor deve identificar quem, ao chegar ao poder, beneficia sua condição de vida, como no caso da defesa de escolas públicas.
Propostas de governo, declarações de bens e prestação de contas com doadores são consultáveis no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O alinhamento partidário é um indicativo importante, pois candidatos podem se desviar do discurso inicial ao se guiarem pela diretriz partidária. A cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara (UFPA) ressalta a importância de observar a disciplina partidária, especialmente no Legislativo.
A avaliação rigorosa dos partidos envolve: analisar o programa e a posição política de cada legenda; verificar se o candidato se alinha à diretriz partidária ou à sua própria plataforma; e considerar a coerência entre o discurso e a prática do partido. É fundamental que o eleitor examine a lista oficial do partido (‘nominata’) e evite votar motivado por uma única figura, como no caso do “Efeito Tiririca” em 2010.
O “Efeito Tiririca” ilustra o sistema proporcional, onde candidatos como Tiririca, com alta votação, podem eleger outros correligionários menos votados. O quociente eleitoral determina a distribuição de cadeiras. Votos válidos divididos pelo número de assentos definem o quociente eleitoral. A soma dos votos de um partido dividida pelo quociente eleitoral define quantas cadeiras ele conquista, ocupadas pelos filiados mais votados que atingiram a cláusula de barreira individual. Rodrigo Stumpf González (UFRGS) explica que partidos buscam celebridades para fortalecer a legenda.
Mudanças na legislação eleitoral impuseram barreiras a candidatos pouco votados, mas ainda é preciso cautela para evitar arrependimentos. O eleitor deve conhecer a “nominata” do partido e não votar baseado em apenas uma pessoa. O 1º turno das eleições ocorre em 4 de outubro, com 158,7 milhões de eleitores aptos a escolher deputados, senadores, governadores e o presidente.
No dia da votação, é permitido levar uma “colinha” com nomes e números. O uso de celulares, câmeras ou gravadores na cabine é proibido para garantir o sigilo do voto. Broches, adesivos e camisetas de apoio individual e silencioso são permitidos, mas manifestações coletivas ou ruidosas são vedadas. Eleitores têm direito a ausência do trabalho sem prejuízo salarial para votar. Pessoas com mais de 80 anos, com deficiência ou mobilidade reduzida têm prioridade ou podem ser auxiliadas por alguém de sua escolha.

