Peru vota em novo presidente em meio a década de instabilidade política
Cerca de 27 milhões de eleitores peruanos foram às urnas neste domingo para escolher o nono presidente em dez anos marcados por profunda crise política. Desde 2016, o país testemunhou a renúncia de dois presidentes e a destituição de seis outros pelo congresso, que exerce considerável poder no cenário nacional.
O segundo turno da eleição presidencial colocou frente a frente a direitista Keiko Fujimori, que obteve 17,1% dos votos no primeiro turno, e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, com 12,0%. Apesar da liderança de Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, analistas preveem um resultado incerto, refletindo a polarização do país.
A candidatura de Keiko Fujimori evoca tanto o legado de seu pai, condenado por violações de direitos humanos, quanto a forte rejeição que ele desperta. Por outro lado, Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, propõe uma reforma constitucional para substituir a Carta Magna herdada do fujimorismo e advoga por reformas sociais.
O ex-presidente Pedro Castillo, eleito em 2021 contra Fujimori, foi destituído e preso após tentativa de golpe de Estado ao dissolver o Parlamento. Seus apoiadores o veem como vítima de um congresso que o perseguiu por representar os votos das populações rurais e indígenas.
A eleição peruana se insere em um contexto continental de alinhamento político com os Estados Unidos, observado em países como Equador, Bolívia, Argentina e Chile. Especialistas apontam que uma vitória de Fujimori reforçaria essa tendência de aproximação com a extrema-direita regional e com os EUA. Uma vitória de Sánchez, no entanto, não implicaria ruptura com Washington ou governos de direita, dada a fragilidade dos governos progressistas sul-americanos em formar um bloco anti-imperialista.
O último presidente a completar o mandato foi Ollanta Humala (2011-2016), cujo governo foi marcado pelo escândalo da Odebrecht. Ele foi condenado em 2025 por lavagem de dinheiro, negando as acusações. Pedro Castillo também foi condenado a mais de 11 anos por tentativa de golpe e rebelião. Dina Boluarte, que assumiu após Castillo, reprimiu violentamente protestos, resultando em 49 mortes segundo a Anistia Internacional, e foi destituída em 2025. Em seguida, José Jerí assumiu, sendo destituído após quatro meses, e a presidência interina passou para José María Balcázar Zelada.
