Sepultamento de Grenaldo Silva após 54 anos de ditadura
Cinquenta e quatro anos após sua morte pela ditadura militar brasileira em 1972, os restos mortais de Grenaldo de Jesus da Silva foram finalmente sepultados nesta sexta-feira (26) em São Paulo. O corpo, que havia sido enterrado como indigente na vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, recebeu um enterro digno na sepultura 105, gleba 1, quadra 2, com a presença de familiares e autoridades.
A cerimônia foi marcada pela emoção de Grenaldo Mesut, filho da vítima, e pelo canto da música Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, de Geraldo Vandré. O evento contou com a participação da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, além de representantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da Comissão de Familiares de Pessoas Mortas e Desaparecidas Políticas de São Paulo, da concessionária Cortel e do Caaf/Unifesp.
Grenaldo de Jesus da Silva, militar da Marinha expulso em 1964, foi morto em 30 de maio de 1972. Embora a versão oficial da época fosse suicídio, investigações posteriores confirmaram que ele foi executado por agentes do Estado. Sua identificação foi possível graças ao trabalho de cientistas do Projeto Perus, que buscam identificar os restos mortais de 1.049 ossadas encontradas na vala clandestina descoberta pelo jornalista Caco Barcellos em 1990.
