Irã ameaça rotas marítimas; EUA respondem com ataques
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ameaçou fechar “todos os outros corredores de exportação de petróleo que beneficiam os EUA e os seus aliados”, informaram os meios de comunicação iranianos. A declaração surge após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e o anúncio de um bloqueio naval aos portos iranianos pelos Estados Unidos. “As exportações regionais de energia são compartilhadas com todos ou negadas para todos”, afirmou a Guarda Revolucionária em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana Irna. O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até o “fim dos males da América”, segundo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás passavam diariamente por Ormuz antes do início da guerra em fevereiro. Em resposta aos ataques americanos no Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária disse ter atacado instalações de comando e controle, logística, combustível e equipamento militar pertencentes à Quinta Frota dos EUA no Bahrein. Relatos adicionais indicam a destruição de uma instalação logística americana em Mina Abdullah, no Kuwait, e o ataque a uma base americana em Azraq, na Jordânia, visando hangares de aeronaves, com alguns ataques americanos supostamente lançados de bases na Jordânia.
As hostilidades entre Irã e EUA recomeçaram na semana passada, fragilizando o cessar-fogo alcançado em junho. A mais recente ameaça à navegação global ocorre um dia após os militares norte-americanos anunciarem uma nova onda de ataques para “continuar a degradar as capacidades iranianas utilizadas para atacar navios mercantes no Estreito de Ormuz”. Os Estados Unidos afirmam que o Irã atacou sete navios mercantes na última semana, resultando em mortes, desaparecimentos ou ferimentos de quase uma dezena de tripulantes.
Há pelo menos 19 navios de guerra estadunidenses no mar Arábico, incluindo dois porta-aviões e um navio de assalto anfíbio com mais de mil fuzileiros a bordo. O Comando Central dos EUA informou que “centenas de aeronaves militares operam em todo o Médio Oriente”. Na noite de terça-feira (14), os militares dos EUA atingiram dezenas de alvos militares perto do Estreito de Ormuz e em regiões costeiras iranianas em uma onda de ataques que durou sete horas, segundo o Comando Central dos EUA.
O presidente Donald Trump ameaçou atingir centrais elétricas e pontes iranianas na próxima semana, a menos que Teerã retome as negociações. “Deixarei os alvos energéticos para o fim, mas, no final do dia, atingiremos esses alvos”, disse Trump. Ele acrescentou que “na próxima semana, a situação vai ser muito ruim para eles” e que negociadores estadunidenses contataram seus homólogos iranianos para avisar: “É melhor fecharem um acordo”. O acordo provisório previa passagem gratuita pelo estreito durante 60 dias, mas o futuro permanece em aberto, com Teerã reivindicando o direito de gerir o tráfego e cobrar taxas, uma posição contestada por Washington.
O preço do barril de Brent chegou a ultrapassar os US$ 87 dólares na terça-feira, abaixo dos quase US$ 120 dólares registrados no auge da guerra, mas caiu para US$ 78 dólares após o anúncio de Trump.
