Conselho reconhece interesse público em dívidas de Angra 3
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) uma resolução que classifica como de interesse público a suspensão temporária dos pagamentos das dívidas da Usina Termonuclear Angra 3. A medida atende a um pleito da Eletronuclear, que solicitou aos credores BNDES e Caixa Econômica Federal a análise de viabilidade para um acordo de standstill, visando o reescalonamento dos débitos da unidade.
A Eletronuclear, responsável pelas obras da central nuclear em Angra dos Reis (RJ), passou por mudanças societárias recentes, sendo vendida pelo grupo ENBPar ao grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, por R$ 535 milhões em outubro de 2025. O Ministério de Minas e Energia (MME) esclareceu que a resolução não altera contratos vigentes, servindo apenas como um sinalizador para que as instituições financeiras avaliem a viabilidade legal da proposta sob critérios técnicos próprios.
O ministro Alexandre Silveira defendeu a conclusão da obra, iniciada em 1984, ressaltando a importância estratégica da matriz nuclear para a estabilidade do sistema elétrico nacional. Silveira argumentou que o país possui a sétima maior reserva de urânio do mundo e tecnologia suficiente para finalizar o empreendimento, evitando o desperdício dos bilhões de reais já investidos em infraestrutura e equipamentos para a usina.
