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Emissoras públicas pedem fundo federal para comunicação

Emissoras públicas pedem fundo federal para comunicação

Emissoras públicas pedem fundo federal para comunicação

Representantes da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) se reuniram no Rio de Janeiro entre segunda-feira (18) e terça-feira (19) para discutir o futuro da rede de emissoras. O encontro teve como objetivo ampliar a cooperação entre veículos regionais e os administrados pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), além de debater estratégias para fomentar conteúdos públicos.

A RNCP, composta majoritariamente por emissoras não comerciais, evoluiu nos últimos anos com a expansão através do empréstimo de canais da EBC. Atualmente, a rede inclui universidades públicas, estaduais e municipais, órgãos de Estado e outras instituições da sociedade civil. A iniciativa do governo federal visa universalizar a cobertura do Sistema Público de Comunicação, previsto na Constituição.

Em 2026, a RNCP alcançou 330 emissoras. A EBC tem inaugurado novos canais desde 2024, começando pela rádio da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRJ). Em 2025, foram 14 novas inaugurações e, em 2026, mais 29 rádios e TVs entraram no ar. As emissoras recebem apoio técnico e conteúdos gratuitos da TV Brasil, Rádio Nacional e Rádio MEC.

No encontro deste ano, as emissoras voltaram a solicitar a regulamentação de um fundo para financiar a comunicação pública, a Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP). Este fundo, composto por recursos de empresas de telecomunicações, tem o potencial de auxiliar financeiramente muitas instituições, especialmente na transição para a TV 3.0. Em 2025, a EBC arrecadou R$ 3,8 milhões com a CFRP.

A RNCP, com apoio da sociedade civil, buscará o governo para a regulamentação. Welder Alves, gerente de Rádios, Projetos Especiais e Mídias Digitais do Sistema Encontro das Águas e representante da RNCP em um comitê da EBC, informou que a articulação será retomada no evento do Rio de Janeiro. Igor Pontini, diretor-geral do Sistema de Rádio e Televisão do Espírito Santo, destacou a importância do financiamento para a comunicação pública, mesmo com fontes híbridas.

Pontini mencionou que a TVE-ES, com apoio da RNCP, alcançará 80% dos capixabas nos próximos anos, ampliando a cobertura atual para sete municípios. Ele lembrou que, no passado, a EBC repassava 20% da arrecadação publicitária para as afiliadas da RNCP. “Qualquer recurso que chegue fortalece nossa estrutura, permite contratar jornalistas, técnicos, porque isso é estratégico para a soberania do país”, afirmou.

Antonia Pellegrino, presidenta da EBC, defendeu a comunicação pública diante do cenário de desinformação. Marcelo Kischinhevsky, diretor do Núcleo de Rádio e TV da UFRJ, celebrou a inclusão de instituições de ensino superior na rede e defendeu a evolução da relação para viabilizar o financiamento. “Esperamos a regulamentação do uso da CFRP para viabilizar investimentos em infraestrutura e conteúdos, possibilitando a construção de uma efetiva alternativa de comunicação”, declarou.

Em 2024, EBC e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) apresentaram uma minuta para a repartição de recursos do Sistema Público, mas a proposta ainda não avançou. A presidenta da EBC reconheceu o papel da rede para a disseminação de conteúdos. Thiago Regotto, gerente executivo de Rádios da EBC, ressaltou que a mídia pública tem a missão de alcançar o “Brasil profundo”, onde emissoras comerciais não operam.

O Encontro da Rede de Comunicação Pública também celebra os 90 anos da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e antecede o 7º Simpósio Nacional do Rádio, que debaterá o futuro da mídia sonora no país entre quarta-feira (20) e sexta-feira (22).

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