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Escolas Brasileiras Brilham Mundialmente como Finalistas de Prêmio Educação

Escolas Brasileiras Brilham Mundialmente como Finalistas de Prêmio Educação

Escolas Brasileiras Brilham Mundialmente como Finalistas de Prêmio Educação

Quatro escolas brasileiras alcançaram o posto de finalistas no prestigioso Prêmio Melhores Escolas do Mundo 2026. A Escola Municipal GET IV Centenário, no Rio de Janeiro; a Escola Baniwa Kalipana, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas; o Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf, em Cuiabá; e o Centro Educacional Primeiro Mundo, em Canaã dos Carajás, no Pará, estão entre as dez melhores de suas respectivas categorias, de um total de cinco da premiação. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25).

Em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, a Escola Baniwa Kalipana celebrou a indicação na categoria Ação Ambiental. A comunidade, incluindo estudantes e lideranças indígenas, aguardava acordada na Terra Indígena Alto Rio Negro para o anúncio. O aprendizado na escola é fundamentado no território, na gestão ambiental e nos sistemas de conhecimento ancestrais, com professores educadores indígenas que repassam o saber na própria língua. Historicamente, a educação formal não reconhecia os sistemas de conhecimento locais, gerando um distanciamento cultural que aumentava a probabilidade de jovens deixarem o território.

O modelo educacional da Escola Baniwa Kalipana foi desenvolvido por lideranças locais Baniwa e Koripako, em colaboração com famílias, anciãos e membros da comunidade. O ensino baseia-se no sistema agrícola Káali, um sistema indígena regional milenar que conecta o cultivo da mandioca a conhecimentos ecológicos, memória, cantos, artes, espiritualidade, saúde, produção de alimentos e à vida familiar e comunitária. Esse conhecimento territorial é integrado a disciplinas nacionais como português, matemática e história, adaptando-se às realidades locais e aos contextos educacionais indígenas.

Na Maré, zona norte do Rio de Janeiro, o Ginásio Educacional Tecnológico (GET) IV Centenário, finalista na categoria Superação de Adversidade, também teve motivos para festa. A escola está localizada em um bairro que abriga um complexo de 16 favelas frequentemente alvo de operações policiais e disputas de grupos armados. Entre 2016 e 2025, a região registrou 231 operações policiais, que resultaram em 160 mortes e 1.538 ações de violência.

Segundo a diretora Alessandra, foi após uma das operações que a escola, que atende crianças de 6 a 11 anos, percebeu a necessidade de escutar os estudantes. Foi criado o “Café com Música e Prosa”, um acolhimento socioemocional, especialmente após dias de operações policiais. Essa escuta virou parte diária do projeto “Fábrica de Sonhos”, dedicando os primeiros 20 minutos do dia para que os estudantes expressem suas questões, sentimentos e preocupações. Alessandra enfatiza que esses 20 minutos “fazem toda a diferença” e permitem que as crianças sonhem e realizem o que quiserem.

Esse processo gerou resultados significativos, com a escola conseguindo zerar o abandono escolar e melhorar o rendimento, alcançando 97% de alfabetização na idade adequada. O projeto “Fábrica de Sonhos”, além da escuta, reúne um conjunto de práticas que colocam o estudante no centro da aprendizagem. Utilizando tecnologia, as crianças investigam problemas reais da comunidade e desenvolvem soluções práticas. As famílias também são essenciais, participando do planejamento colaborativo, compartilhando metas e definindo responsabilidades. A metodologia aplicada será incorporada em outras 350 escolas da rede municipal do Rio de Janeiro, com potencial para expansão.

O Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf, de Cuiabá, Mato Grosso, está entre os finalistas na categoria Inovação. A instituição desenvolveu a metodologia “Criancice”, que substitui salas de aula fixas por diferentes territórios de aprendizagem temáticos. As crianças circulam por ambientes voltados à ciência, arte, literatura, movimento, tecnologia e cultura, construindo conhecimento por meio da experimentação, da brincadeira e da investigação. A escola valoriza a diversidade étnico-racial e trabalha com materiais que representam a cultura afro-brasileira e indígena, além de ações permanentes de educação antirracista.

O Centro Educacional Primeiro Mundo, de Canaã dos Carajás, Pará, também foi reconhecido na categoria Superação de Adversidades. A escola conecta cerca de 4 mil estudantes de diversas origens sociais, econômicas e culturais a oportunidades acadêmicas, científicas e tecnológicas que geralmente só estão disponíveis em grandes centros urbanos. A instituição desenvolveu um robusto programa educacional de excelência que inclui estudantes indígenas da etnia Kayapó, neurodivergentes e pessoas com deficiência, promovendo a convivência em um ambiente educacional integrado. Em apenas três anos, os estudantes conquistaram mais de mil medalhas em olimpíadas acadêmicas nacionais e internacionais.

O World’s Best School Prizes, traduzido como Prêmio Melhores Escolas do Mundo, é promovido pela plataforma T4 Education e apoiado pela Fundação Lemann, American Express e Accenture. As cinco categorias são Inovação, Ação Ambiental, Colaboração Comunitária, Superação de Adversidades e Apoio a Vidas Saudáveis. A votação popular está aberta pela internet até o dia 29 de outubro, e os vencedores de cada categoria serão anunciados em novembro.

Os vencedores e finalistas integrarão um grupo de escolas de excelência, possibilitando trocas e apoios pedagógicos com educadores e especialistas de diversas partes do mundo. Vikas Pota, fundador e CEO da T4 Education, afirmou que as escolas finalistas vêm de diferentes partes do mundo, mas compartilham “uma clara recusa em aceitar que uma educação de excelência seja reservada para algumas crianças e não outras”. As escolas vencedoras e finalistas serão convidadas a participar do World Schools Summit, em Londres, nos dias 16 e 17 de janeiro de 2027, reunindo educadores, formuladores de políticas públicas e lideranças do setor educacional para compartilhar experiências e boas práticas.

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