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Cantor holandês busca raízes e sonha com retorno ao Brasil

Cantor holandês busca raízes e sonha com retorno ao Brasil

Cantor holandês busca raízes e sonha com retorno ao Brasil

As lembranças da neve, do frio e da língua incompreensível marcam a chegada do cantor Osmin Carlson, nome artístico do policial Carlos Hogendorp, à Holanda aos 4 anos de idade. Carlos, que vivia em um abrigo na cidade de Leme (SP), foi adotado por um casal holandês juntamente com dois de seus irmãos biológicos. Atualmente com 31 anos, ele sonha em voltar a viver no Brasil após uma reviravolta em sua vida ao decidir buscar suas origens.

Em visita ao Brasil, Carlos tem participado de palestras e rodas de conversa sobre sua jornada de autodescoberta. Ele recorda as dificuldades enfrentadas em sua infância no Brasil e a rotina no abrigo, onde presenciou situações difíceis. Há dez anos, ele iniciou a busca por suas raízes, um processo que o levou a reviver memórias e questionamentos.

Seus pais adotivos holandeses foram receptivos e abertos ao diálogo sobre o processo de adoção. Carlos aprendeu rapidamente a língua e a adaptar-se à nova vida, inclusive à carreira policial, em uma cidade onde os agentes não trabalham armados devido à baixa criminalidade.

O primeiro contato com o Brasil que tocou seu coração ocorreu durante a semifinal da Copa do Mundo de 1998, quando comemorou a vitória brasileira, fazendo do amarelo sua cor predileta. A emoção se intensificou em 2002, com o título da seleção. Qualquer menção ao Brasil na televisão o deixava curioso e comovido.

O desejo de conhecer o Brasil se fortaleceu em 2013, quando sua então namorada engravidou. A paternidade iminente o levou a questionar sua identidade e suas origens. Ele buscou um programa de TV holandês para auxiliar na descoberta de suas raízes.

No ano seguinte, o programa localizou sua mãe biológica, Maria de Fátima, e 16 de seus irmãos no Brasil, na cidade de Leme. O pai já havia falecido. A mãe cumpria pena por furto e, segundo reportagens da época, teria se envolvido com tráfico de drogas.

O reencontro com a família biológica e a realidade de suas vidas representou um choque para Carlos. Ele não detalha os motivos da prisão da mãe. Ele conheceu pessoalmente Maria de Fátima em 2014.

A adoção internacional no Brasil é regulamentada pela Convenção de Haia e pelo Decreto nº 3.174 de 1999, assegurando o interesse da criança e o respeito aos direitos fundamentais, além de prevenir o tráfico infantil. No caso de Carlos, seus direitos foram respeitados, incluindo o acesso à creche aos 4 anos.

Carlos defende a importância do apadrinhamento afetivo no Brasil, incentivando adoções por famílias brasileiras para que crianças não precisem deixar o país. Ele relata que brasileiros adotados na Europa sentem falta de sua terra natal, mas evitam o assunto para não chatear suas famílias adotivas. Ele se propõe a ajudar outros brasileiros a encontrarem suas origens.

Ele acredita que uma infância bem tratada abre portas para o futuro e tem o sonho de um dia retornar para morar e trabalhar no Brasil, além de apresentar o país onde nasceu para sua filha, Viena, de 13 anos.

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